O novo livro do Nobel ainda não tinha sequer sido folheado, já os críticos lhe lançavam as primeiras pedras. As reacções às declarações de Saramago na apresentação do livro foram intempestivas e escusadas. “Matar, matar, matar” , foram as palavras que caíram mal aos senhores da Igreja. Mas não foi isso que as religiões fizeram e continuam a fazer ao longo da história da humanidade? As cruzadas, a jihad, a inquisição… alguém consegue negar que a religião tem sido o maior argumento para matar?
Mas Saramago devia ter ficado calado, agora exprimir as suas opiniões… Onde é que já se viu??? Neste país nem um Nobel parece usufruir de liberdade de expressão. Ai és ateu? Então deves renunciar à nacionalidade portuguesa! Mas por cá já estamos habituados, tantos anos de salazarismo, deixaram-nos esta amarga herança.
Para quem está contra Saramago aconselho a leitura de Firth, para quem “Há uma verdade em toda a religião. Mas é uma verdade humana, não uma verdade divina”, ou Weber, Feuerbach ou até mesmo Marx… As religiões são uma criação mundana que se vão alterando ao longo do tempo, para que cumpram com as suas funções sociais.
Eu até acredito em Deus (às vezes a custo!), mas nunca em religiões….
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